Kiera Cass divulga mais 2 capitulos de “A Herdeira”

Confiram aqui os dois primeiros capítulos de “A Herdeira”.

Tradução NÃO-OFICIAL, feita por Camila (FanPage “The Selections Quotes” @selectionquotes no twitter.

Texto original de Kiera Cass.

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CAPITULO 1

     Eu não conseguia prender a respiração por sete minutos. Não conseguiria sequer chegar a um minuto. Uma vez tentei correr uma milha em sete minutos, depois de ouvir que alguns atletas conseguem em quatro, mas falhei miseravelmente quando uma dor lateral me incapacitou na metade da distância.

Mas tem uma coisa que eu conseguia fazer em sete minutos que a maioria das pessoas diria ser muito impressionante: eu me tornei rainha.

Por meros sete minutos eu cheguei ao mundo antes do meu irmão, Ahren, então o trono que deveria ser dele virou meu. Se eu tivesse nascido em uma geração antes, não teria feito diferença. Ahren era o homem, então ele teria sido o herdeiro.

Infelizmente, minha mãe e meu pai não aguentariam ver a primogênita perder seu título graças a um inesperado porém graciosos par de seios. Então eles mudaram a lei, o povo comemorou, e eu fui treinada todos os dias para virar a próxima regente de Illéa.

O que eles não entendiam, é que essas tentativas de tornar minha vida justa pareciam muito injustas para mim.

Eu tentava não reclamar. Afinal, eu sabia como era sortuda. Porém havia dias, ou meses em algumas vezes, onde parecia que muito era empilhado para mim, muito para qualquer pessoa, de verdade.

Folheei o jornal e vi que havia ocorrido outra manifestação, desta vez em Zuni. Vinte anos atrás, o primeiro ato do meu pai como rei fora dissolver as castas, e o sistema velho foi extinto lentamente. Eu ainda pensava em como era completamente bizarro que uma vez as pessoas viveram com esses limitantes mas arbitrários rótulos em suas costas. Minha mãe era uma Cinco, meu pai era Um. Não fazia sentido, principalmente quando não havia um sinal externo de divisões. Como eu saberia se estava andando próxima de um Seis ou um Três? E por que isso até mesmo importava?

Quando meu pai decretou que as castas não existiam mais, todas as pessoas do país ficaram encantadas. Papai esperava que as mudanças que estava fazendo em Illéa estivessem completamente estáveis no curso de uma geração, significando que poderia acontecer a qualquer dia, agora.

Isso não estava acontecendo – e essa nova manifestação era a mais recente de uma série de distúrbios.

– Café, Vossa Alteza – Neena disse, deixando a bebida em minha mesa.

– Obrigada. Você pode levar os pratos.

Eu examinei o artigo. Desta vez um restaurante foi incendiado porque seus donos se recusaram a promover um garçom ao cargo de chefe. O garçom reivindicava que uma promoção foi prometida mas nunca entregue, e ele tinha certeza de que era por causa do passado de sua família.

Olhando para os restos carbonizados, eu honestamente não sabia de que lado estava. O proprietário tinha o direito de promover ou demitir quem quisesse, e o garçom tinha o direito de não ser visto como algo que, tecnicamente, não existia mais.

Eu afastei o papel e peguei minha bebida. Papai ficaria chateado. Eu tinha certeza de que ele ficava passando e passando o cenário diversas vezes em sua cabeça, pensando em como ajustar tudo corretamente. O problema era que, mesmo se pudéssemos resolver um problema, não poderíamos parar cada mísero caso de discriminação pós-casta. Era muito difícil de monitorar e acontecia com muita frequência.

Eu depositei meu café e me dirigi para o meu closet.

– Neena – chamei -, você sabe onde está meu vestido cor de ameixa? Aquele com uma faixa?

– Oh, céus! – Ela cerrou os olhos, concentrada, e veio me ajudar.

No grande esquema de coisas, Neena era nova no palácio. Nós apenas estivemos juntas por seis meses, após minha última criada ter ficado doente por duas semanas. Neena era muito sintonizada com as minhas necessidades e muito mais agradável de ter por perto, então eu a mantive.

Neena olhou para o espaço enorme.

– Talvez devêssemos reorganizar.

– Você pode, se encontrar tempo. Este não é um projeto no qual eu esteja interessada.

– Não enquanto eu possa caçar suas roupas por você – ela provocou.

– Exatamente!

Ela levou meu humor na esportiva, rindo enquanto ordenava entre vestidos e calças.

– Gostei do seu cabelo hoje – comentei.

– Obrigada.

Todas as criadas usavam algo na cabeça, mas Neena ainda era criativa com seu cabelo. Algumas vezes alguns cachos negros e espessos molduravam seu rosto, em outras vezes ela retorcia os fios até ficarem aninhados. No momento, havia largas tranças circulando sua cabeça, com o resto de seu cabelo embaixo do chapéu. Eu realmente fiquei feliz por ela encontrar caminhos de trabalhar com seu uniforme, de fazer seu próprio a cada dia.

– Ah! Está aqui atrás! – Neena puxou para baixo o vestido que ia até o joelho.

– Perfeito! E você sabe onde está meu blazer cinza? Aquele com as mangas três-quartos?

Ela olhou para mim, o rosto sem expressão.

– Eu definitivamente vou reorganizar.

Eu ri.

– Você procura; eu visto.

Eu vesti minha roupa e escovei meu cabelo, me preparando para outro dia como a futura face da monarquia. A roupa era feminina o bastante para me suavizar mas forte o bastante para ser levada a sério. Era uma linha muito tênue para caminhas, mas eu fazia isso todos os dias.

Olhando para o espelho, conversei com meu reflexo.

– Você é Eadlyn Schreave. Você é a próxima pessoa na fila para administrar este país e será a primeira mulher a fazer isso sozinha. Ninguém  – eu disse – é mais poderoso que você.

Papai já estava em seu escritório, a testa franzida enquanto assimilava as notícias. Exceto pelos os olhos, eu não era muito parecida com ele. Ou com a mamãe, até onde interessa.

Com meus olhos e cabelos escuros, e uma pitada de um bronzeado que durava o ano todo, eu parecia mais com a  minha avó do que qualquer outro. Uma pintura dela no dia de sua coroação estava pendurada no corredor do quarto andar e eu costumava a estudá-lo quando era mais jovem, tentando adivinhar como eu pareceria conforme eu crescia. A idade dela no quadro era próxima da minha agora e, apesar de não sermos idênticas, às vezes eu me sentia como se fosse seu eco.

Eu caminhei através do escritório e beijei a bochecha do meu pai.

– Bom dia.

– Bom dia. Você viu o jornal? – ele perguntou.

– Sim. Ao menos ninguém morreu desta vez.

– Graças a Deus por isso.

Aqueles eram os piores, aqueles onde as pessoas era abandonadas mortas na rua ou desapareciam. Era terrível, ler os nomes de homens que foram espancados por simplesmente mudar sua famílias para uma vizinhança melhor, ou mulheres que eram atacadas por tentar ter um emprego que no passado não poderiam ter.

Em algumas vezes não levava tempo algum para encontrar o motivo e as pessoas por trás desses crimes, no entanto eram muito mais frequentes às vezes em que dedos eram apontados e nenhuma resposta real. Pra mim, era exaustivo de assistir e sabia que era ainda pior para meu pai.

– Eu não entendo. – Ele retirou seus óculos de leitura e esfregou os olhos. – Eles não queriam mais as castas. Nós levamos nosso tempo, removemos-as lentamente para todos se ajustassem. Agora eles incendeiam as construções.

– Há algum meio de regular isso? Nós poderíamos criar um conselho para supervisionar as queixas?

Olhei para a foto outra vez. No canto, o filho jovem do proprietário do restaurante lamentando ter perdido tudo.

Papai olhou para mim.

– É isso o que você faria?

Sorri.

– Não, eu perguntaria ao meu pai o que ele faria.

Ele suspirou.

– Isso nem sempre será uma opção para você, Eadlyn. Você precisa ser forte, decidida. Como você consertaria esse incidente particular?

Eu considerei.

– Não acho que podemos. Não há como provar que as castas foram o motivo pelo qual a promoção foi negada ao garçom. A única coisa que podemos fazer é lançar uma investigação para saber quem causou o incêndio. Aquela família perdeu seu sustento hoje, e alguém precisa ser responsável por isso. Um incêndio proposital não é modo de exigir justiça.

Ele balançou a cabeça para o jornal.

– Acho que está certa. Gostaria de ser capaz de ajudá-los. Mais que isso, precisamos descobrir como prevenir que isso aconteça outra vez. Isso está se tornando excessivo, Eadlyn, e é assustador.

Papai jogou o papel no lixo, então ficou de pé e andou até a janela. Eu poderia ler o estresse em sua postura. Às vezes seu cargo lhe trazia muito alegria, como visitar as escolas que ele tinha trabalhado incansavelmente para melhorar ou ver as comunidades florescerem da época sem guerra que ele inaugurou. Entretanto, estes momentos diminuíam e se tornavam menos frequentes. Na maioria dos dias ele estava ansioso sobre o estado do país e tinha que fingir sorrisos quando os repórteres vinham, esperançoso que sua sensação de calma pudesse de algum modo se espalhar para todos. Mamãe ajudava a arcar com o ônus, porém no final do dia o destino do país era colocado diretamente sobre suas costas. Um dia estariam nas minhas.

Vaidosa como era, me preocupava com ganhar fios brancos prematuramente.

— Faça uma nota para mim, Eadlyn. Lembre-me de escrever para o Governador Harpen, em Zuni. Ah, e coloque para escrever para Joshua Harpen, não para o seu pai. Eu vivo me esquecendo de que foi ele quem se candidatou na última eleição.

Eu escrevi suas inscrições em minha elegante letra cursiva, pensando em quão satisfeito ele ficaria quando olhasse para ela mais tarde. Papai tinha o costume de ser chato sobre a minha caligrafia.

Eu estava sorrindo para mim mesma quando voltei a olhar para ele, mas meu sorriso caiu quase imediatamente quando eu  vi esfregando a testa, tentando arduamente pensar em uma solução para esses problemas.

— Pai?

Ele virou e instintivamente endireitou os ombros, como se tivesse que parecer forte até mesmo para mim.

— Por que você acha que isso está acontecendo? Não foi sempre assim?

Ele levantou suas sobrancelhas.

— Certamente não foi — ele disse, quase para si mesmo. —  No começo todos pareceram satisfeitos. A cada vez que removíamos uma casta, as pessoas davam festas. Tem sido apenas nos anos mais recentes, desde que removemos todos os rótulos, que tem decaído.

Ele olhou para fora da janela.

— A única coisa que consigo pensar é que aqueles que cresceram com as castas sabem como isso é melhor. Comparativamente, é mais fácil de casar e trabalhar. As finanças de uma família não são limitadas a uma profissão. Quando se trata de educação, há mais opções; Com certeza é uma melhora. Mas para aqueles que cresceram sem as castas ainda são opositores… Acho que eles não sabem mais o que fazer.

Ele olhou para mim e deu de ombros.

— Eu preciso de tempo — murmurou. — Preciso de uma maneira de parar por um tempo com essas coisas, ajeitá-las e depois deixá-las continuarem outra vez.

Eu notei o vinco profundo em sua testa.

— Pai, não creio que seja possível.

Ele me encarou e riu com si mesmo.

— Nós já fizemos isso antes. Posso me lembrar…

O foco em seus olhos mudou e pareceu que ele teve uma ideia. Ele olhou para mim por um momento, parecendo me fazer uma pergunta sem palavras.

— Pai.

— Sim.

— Você está bem?

Ele piscou algumas vezes.

— Sim, querida, estou ótimo. Por que você não vai trabalhar naqueles cortes do orçamento? Podemos ver suas ideias esta tarde. Eu preciso conversar com sua mãe.

— Claro.

Matemática não era um talento que me veio naturalmente, então eu tinha que trabalhar duas vezes mais em qualquer proposta de corte no orçamento ou planos financeiros. No entanto, eu absolutamente recusava ter um dos conselheiros do papai nas minhas costas com uma calculadora para limpar minha bagunça. Mesmo que tivesse que ficar acordada a noite inteira, eu sempre fazia questão de que meu trabalho sem erros.

É claro, Ahren era naturalmente bom em matemática, mas nunca era forçado a sentar-se em encontros sobre orçamentos ou rezoneamentos ou cuidados com a saúde. Ele saiu impune por sete estúpidos minutos.

Papai afagou meus ombros antes de sair do escritório. Eu levei muito mais tempo do que o usual para me focar nos números. Eu não poderia evitar ser distraída pelo olhar em seu rosto e a certeza evidente de que me envolvia.


CAPÍTULO 2

     Após trabalhar no relatório do orçamento por algumas horas, eu decidi que precisava de um intervalo e retirei-me para o meu quarto para ganhar da Neena uma massagem nas mãos. Eu amava esses pequenos momentos de luxo no meu dia. Vestidos feitos na medida certa para mim, sobremesas exóticas simplesmente porque era quinta-feira, e um fornecimento interminável de coisas lindas, eram todas vantagens; e eram facilmente a melhor parte do trabalho.

Meu quarto tinha vista para os jardins; e conforme o dia se deslocava, a luz mudava para um quente cor de mel, que brilhava nos altos muros. Eu foquei no calor e nos dedos deliberados da Neena.

— De qualquer modo, o rosto dele ficou todo estranho. Foi meio como se ele tivesse desaparecido por um minuto.

Eu tentava explicar o afastamento fora do comum do meu pai nesta manhã, mas era difícil de conseguir. Eu nem ao menos sei se ele encontrou ou não a minha mãe, porque ele não voltou para o escritório.

— Você acha que ele está doente? Ele parece cansado, ultimamente. — As mãos da Neena faziam sua mágica conforme ela falava.

— Talvez —  eu respondi, pensando que o Papai não estava exatamente cansado. — Ele provavelmente só está estressado. E como poderia não estar, com todas as decisões que ele tem que tomar?

— E algum dia essa será você — ela comentou, sua voz em uma mistura de genuína preocupação com uma brincadeira divertida.

— O que significa que você me fará duas vezes mais massagens.

— Eu não sei — ela disse. — Eu acho que em alguns anos eu talvez gostaria de tentar algo novo.

Eu fiz uma careta.

— O que mais você faria? Não há muitos cargos melhores do que trabalhar no palácio.

Houve uma batida na porta e ela não teve uma chance de responder a pergunta.

Eu fiquem em pé, colocando meu blazer de volta para parecer mais apresentável e dei um aceno para que Neena deixasse meus visitantes entrar.

— Mãe. Pai. — Eu atravessei o quarto para abraçá-los. — Eu estava prestes a voltar para o escritório.

Mamãe colocou meu cabelo atrás da minha orelha, sorrindo para mim.

—  Eu gosto desta aparência.

Eu andei para trás orgulhosamente, com o vestido em minhas mãos.

— Os braceletes realmente arrasam, você não acha?

Ela riu.

— Excelente atenção ao detalhe.

De vez em quando, minha mãe me deixa escolher joias ou sapatos para ela, mas era raro. Ela não achava tão divertido quanto eu e não dependia dos acessórias para a beleza. Eu gostava de ela ser clássica.

Mamãe virou e tocou no ombro de Neena.

— Você está dispensada — ela disse quietamente.

Neena instantaneamente fez uma cortesia e nos deixou sozinhos.

— Há algo errado? — perguntei.

— Não, meu amor. Nós simplesmente queremos conversar em particular. — Papai estendeu a mão e levou-nos para a mesa. — Nós temos uma oportunidade para conversar com você.

— Oportunidade? Nós vamos viajar? — Eu adorava viajar. — Por favor, me digam que nós vamos finalmente viajar para a praia. Poderia ser apenas nós seis?

Mesmo com três irmãos ocasionalmente indisciplinados, eu amava o tempo que passávamos juntos. Eu sonhei com o Papai finalmente — finalmente! — nos levando para a praia.

—  Não exatamente. Nós não iríamos a algum lugar enquanto tivermos visitantes. — Mamãe explicou.

— Ah! Companhia! Quem virá?

Eles trocaram olhares, então Mamãe continuou falando:

— Você sabe que as coisas estão precárias no momento. As pessoas estão inquietas e infelizes e nós não conseguimos encontrar uma maneira de parar com a tensão.

Suspirei.

— Eu sei.

— Nós estamos pensando em um modo de elevar a moral — Papai acrescentou.

Eu me animei. Elevar a moral geralmente envolvia uma celebração. Eu era sempre a favor de uma festa.

— O que vocês têm em mente? — Eu comecei a desenhar um novo vestido em minha cabeça e o excluí quase que instantaneamente. Aquela não era exatamente a atenção que eu precisava no momento.

— Bem — Papai começou — as pessoas respondem melhor com algo positivo em nossa família. Quando sua mãe e eu nos casamos, foi uma das melhores temporadas do país. E você se lembra de como as pessoas deram festas nas ruas quando que o Osten estava a caminho?

Sorri. Eu tinha oito quando o Osten nasceu e eu nunca vou me esquecer de como as pessoas ficaram animadas logo após o anunciamento. Eu escutei a música tocando da minha cama até quase o amanhecer.

— Aquilo foi maravilhoso.

— Foi. E agora as pessoas olham para você. Não vai demorar muito para você ser a rainha — Papai deu uma pausa. — Nós pensamos que talvez você estaria disposta a fazer algo publicamente, algo que seria animador para as pessoas mas que também traria muitos benefícios para você.

Eu estreitei meus olhos, sem saber onde isso terminaria.

— Estou escutando.

Mamãe limpou a garganta.

— Você sabe que no passado as princesas se casavam com príncipes de outros países para estabilizar as nossas relações internacionais.

— Eu ouvi você usar o termo no passado, estou correta?

Ela riu, mas eu não achei graça.

— Sim.

— Ótimo, porque o príncipe Nathaniel parece um zumbi, o príncipe Hector dança como um zumbi, e se o príncipe da Federação Alemã não aprender a adotar a higiene pessoal até a festa de Natal, ele não deve ser convidado.

Mamãe esfregou a lateral de seu rosto em frustração.

— Eadlyn, você sempre foi tão exigente!

Papai deu de ombros.

— Talvez isso não seja algo ruim. — Mamãe olhou fixamente para o Papai enquanto ele dava de ombros.

Eu franzi as sobrancelhas.

— Do que é que vocês estão falando?

Eles trocaram olhares outra vez, claramente com dificuldades em chegar ao ponto.

— Você sabe como sua mãe e eu nos conhecemos — Papai começou.

Eu revirei meus olhos.

— Todos conhecem. Vocês dois são praticamente um conto de fadas.

Com essas palavras o olhar dos dois ficou mais suave, e sorrisos atravessaram seus rostos. Seus corpos pareceram inclinarem-se levemente na direção um do outro e Papai mordeu seu lábio olhando para a Mamãe.

— Com licença. Primogênita no recinto, vocês se importam?

Mamãe corou assim que Papai limpou a garganta e continuou:

— O processo da Seleção foi um sucesso para nós. E embora meus pais tenham tido seus problemas, também funcionou para eles. Então… Esperávamos que… — Ele hesitou e encontrou meus olhos.

Eu fui lenta para entender suas dicas. Eu sabia o que a Seleção era, mas nunca, nem uma vez, foi sugerida como uma opção para qualquer um de nós, e muito menos eu.

— Não.

Mamãe levantou as mãos, advertindo-me.

— Apenas ouça…

— Uma Seleção? — explodi. — Isso é insano!

— Eadlyn, você está sendo irracional.

Eu olhei para ela.

— Você prometeu, prometeu!, que nunca me forçaria a me casar com alguém por causa de uma aliança. Como isso pode ser melhor?

— Ouça-nos — ela incitou.

— Não! — gritei. — Eu não farei isso.

— Acalme-se, amor.

— Não fale comigo desta forma, não sou uma criança.

Mamãe suspirou.

— Você está certamente agindo como uma.

— Você está arruinando a minha vida! — Corri meus dedos pelo meu cabelo e respirei diversas vezes, esperando que

me ajudasse a pensar. Isso não poderia acontecer. Não comigo.

— É uma gigantesca oportunidade — Papai insistiu.

— Vocês estão tentando me algemar a um estranho!

— Eu disse que ela seria teimosa — Mamãe murmurou ao Papai.

— Me pergunto de onde isso veio — ele atirou de volta com um sorriso.

— Não falem de mim como se eu não estivesse aqui!

— Sinto muito. — Papai disse — Nós apenas precisamos que você considere isso.

— E o Ahren? Ele pode fazer isso?

— Ahren não será o futuro rei. Além do mais, a essa altura nós sabemos que ele vai governar na França ao lado de Camille.

A princesa Camille era a herdeira do trono da França e alguns anos atrás ela conseguiu fincar suas presas todas no coração do Ahren.

— Então façam-os se casar! — implorei.

— Camille será rainha quando chegar a vez dela e ela, como você, terá que pedir o parceiro em casamento. Se fosse uma decisão do Ahren, ele consideraria; mas não é.

— E o Kaden? Ele não pode fazer isso por vocês?

Mamãe gargalhou sem humor.

— Ele tem catorze anos! Nós não temos esse tipo de tempo. As pessoas precisam de algo para se animarem agora. — Ela estreitou os olhos para mim. — E, honestamente, não está na hora de você procurar alguém para governar ao seu lado?

Papai assentiu.

— É verdade. Não é um cargo que eu teria gostado de administrar sozinho.

— Mas eu não quero me casar — implorei. — Por favor, não me obriguem a fazer isso. Tenho apenas dezoito anos!

— Que é a idade com que eu casei com seu pai — Mamãe determinou.

— Não estou pronta — insisti. — Eu não quero um marido. Por favor, não me façam fazer isso.

Mamãe atravessou a mesa e colocou a mão sobre a minha.

— Ninguém faria nada por você. Você faria algo por seu povo. Você daria um presente a eles.

— Vocês diz fingir um sorriso quando eu preferiria chorar?

Ela fez uma carranca fugaz para mim.

— Isso sempre foi parte do seu dever.

Eu a encarei, silenciosamente pedindo por uma resposta melhor.

— Eadlyn, por que você não pega um tempo para pensar sobre? — Papai disse calmamente. — Eu sei que isso é algo grande que estamos pedindo a você.

— Isso significa que eu tenho escolha?

Papai inspirou profundamente, considerando.

— Bem, amor, você terá trinta e cinco escolhas.

Eu saltei de minha cadeira, apontando para a porta.

— Saiam daqui! — pedi. — Saiam! Daqui!

Sem dizer uma palavra, eles saíram do quarto.

Eles não sabiam quem eu era, para o que haviam me treinado? Eu era Eadlyn Schreave. Ninguém era mais poderoso do que eu.

     Então se eles pensavam que eu cairia sem lutar, estavam redondamente enganados.

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Top 6 de livros lidos em 2014

Olá! Hoje tem aqui pra vocês os melhores livros que li nesse ano, escolhi 6 por que foram os que mais me prenderam mais. Então vamos ao que interessa!

 Starters

starters

É uma distopia, cheia de aventura e surpresas. Aquele tipo de livro que não fica parado em momento nenhum. Foi uma das primeiras leituras do ano e a mais agitada. A autora soube muito bem criar situações, que o leitor pode facilmente imaginar, fantasiar, entrar no mundo deles, enfim, é muito legal!

Sinopse:

Seu mundo mudou para sempre. Callie perdeu os pais quando as guerras de Esporos varreu todas as pessoas entre 20 e 60 anos. Ela e seu irmão mais novo, Tyler, estão se virando, vivendo como desabrigados com seu amigo Michael e lutando contra rebeldes que os matariam por uma bolacha. A única esperança de Callie é Prime Destinations, um lugar perturbado em Berverly Hills que abriga uma misteriosa figura conhecida como o Old Man. Ele aluga adolescentes para alugar seus corpos aos Terminais — idosos que desejam ser jovens novamente. Callie, desesperada pelo dinheiro que os ajudará a sobreviver concorda em ser uma doadora. Mas o neuro chip que colocam em Callie está com defeito e ela acorda na vida de sua locadora, morando em uma mansão, dirigindo seus carros e saindo com o neto de um senador. Parece quase um conto de fadas, até Callie descobrir que sua locatária pretende fazer mais do que se divertir — e que os planos de Prime Destinations são tão diabólicos que Callie nunca podia ter imaginado.

 A Seleção (série completa)

a seleção

Ah, essa série me fez suspirar! America nunca quis ser princesa, mas para fazer a vontade dos pais ela se inscreve na Seleção, que escolhe 35 garotas que entram em uma competição para serem futuras princesas de illéa. Mas para isso as candidatas tem de passar por uma serie de testes e tem de ser aprovadas principalmente pelo príncipe Maxon. America é indecisa, impulsiva e rebelde. Maxon é lindo de morrer, cordial, bondoso, educado, e tudo aquilo o que se espera de um príncipe. Para uma série de distopia eu percebi que o foco muitas vezes estava no romance de America e Maxon. Também tem Aspen ex-namorado de America também estará no meio dos dois durante todos os livros. E também tem os personagens secundários, que são todos diferentes uns dos outros que são muito bem projetados.

Valeu muito a pena a leitura, por que me surpreendeu muito. ❤

 Mentirosos

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Bom, esse livro é uma grata surpresa desse ano e como no inicio dessa semana eu postei a resenha dele, então não tem muito que falar dele. Pra pessoa gostar desse livro tem que realmente mergulhar de cabeça na história de Cadence, e estar preparada pra uma história bem pesada.

 A Lista Negra

a lista negra

Emocionante, convincente e cativante são palavras que descrevem perfeitamente esse livro. O tema principal do livro é o bullying, que a autora Jennifer Brown explorou muito bem. Valerie escrevia em uma lista o nome de todas as pessoas que odiava, ou faziam algo de ruim para ela. Mas nunca imaginou que o seu namorado Nick fosse um dia a aula determinado a matar todas essas pessoas. Nick matou algumas pessoas, feriu outras, atirou na própria Valerie e depois de tudo se matou. A partir dai Valerie tem que se recuperar tanto de suas dores físicas como das emocionais. E todo o processo é narrado de forma sensível, e muito profunda do ponto de vista de Valerie.

 Como Eu Era Antes de Você

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Melhor que os livros que você escuta falar bem e gosta, são os livros que você nem nunca ouviu falar mas ama. Esse livro eu ganhei e demorei um pouco pra ler, até porque eu não acreditava que iria mexer comigo tanto.

Sinopse: Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Trabalha como garçonete num café, um emprego que não paga muito, mas ajuda nas despesas, e namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe.
Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Tudo parece pequeno e sem graça para ele, que sabe exatamente como dar um fim a esse sentimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.

 A Lista de Brett

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Meu livro queridinho da estante é este. No inicio da leitura eu pensei que seria mais um romance clichê, mas logo passou. Esse livro despertou das mais diversas sensações em mim, me fez refletir sobre muita coisa, sobre sonhos e metas e tudo o que a gente deixa para trás.

Sinopse: Brett Bohlinger parece ter tudo na vida – um ótimo emprego como executiva de publicidade, um namorado lindo e um loft moderno e espaçoso. Até que sua adorada mãe morre e deixa no testamento uma ordem: para receber sua parte na gorda herança, Brett precisa completar a lista de sonhos que escreveu quando era uma ingênua adolescente.
Deprimida e de luto, Brett não consegue entender a decisão de sua mãe. Seus desejos adolescentes não têm nada a ver com suas ambições de agora, aos trinta e quatro anos. Alguns itens da lista exigiriam que ela reinventasse sua vida inteira. Outros parecem mesmo impossíveis. Com relutância, Brett embarca numa jornada emocionante em busca de seus sonhos de adolescência.

Então é isso, eu não queria que o post ficasse tão grande, mas acho que esses livros merecem uma atenção especial.

Espero que tenham gostado, e até a próxima!

News! Editora Seguinte divulga trecho de “A Herdeira”

Já que estamos em dias comemorativos, a Editora Seguinte resolveu dar um presentão para fãs de A Seleção e divulgou um trecho do 4º livro da série, irá se chamar A Herdeira.

Sinopse: Vinte anos atrás, America Singer participou da Seleção e conquistou o coração do príncipe Maxon. Agora chegou a vez da princesa Eadlyn escolher seu noivo. Eadlyn não espera que sua Seleção seja nem um pouco parecida com o conto de fadas de seus pais. Mas ao longo da competição, ela pode descobrir que seu final feliz não é algo tão impossível como ela sempre achou.

a herdeira

Deem só uma olhadinha:

Eu não conseguiria prender a respiração por sete minutos. Não conseguiria sequer chegar a um minuto. Uma vez tentei correr uma milha em sete minutos, depois de ouvir que alguns atletas conseguem fazê-lo em quatro, mas falhei miseravelmente quando uma dor lateral me incapacitou na metade da distância.

Todavia, tem uma coisa que eu consegui fazer em sete minutos que a maioria das pessoas diria ser muito impressionante: eu virei rainha.

Por meros sete minutos eu cheguei ao mundo antes do meu irmão, Ahren, então o trono que deveria ser dele virou meu. Se eu tivesse nascido uma geração antes, não teria feito diferença. Ahren era o homem, então ele teria sido o herdeiro.

Infelizmente, a Mãe e o Pai não aguentariam ver seu primogênito perder um título graças a um par de seios inesperados, porém muito graciosos. Então eles mudaram a lei, e o povo comemorou, e eu fui treinada todos os dias para virar a próxima regente de Illéa.

O que eles não entendiam é que essas tentativas de tornar minha vida mais justa pareciam muito injustas pra mim.

Esse trechinho só serviu pra me deixar mais curiosa, já que o lançamento esta previsto pro dia 5 de maio de 2015.

Mas calma, que tem mais dois contos e o 5º livro garantidos pela própria Kiera Kass. O conto A Rainha é contado por Amberly, mãe de Maxon, foi lançado esse mês e esta disponível apenas em ebook por enquanto. E A Favorita é outro conta que foi contado por Marlee, que vai contar tudo o que aconteceu naquela festa de halloween que deu o que falar. Só estará disponível em janeiro de 2015. A versão impressa desses dois contos fara parte da coletânia Contos da Seleção 2, que será lançada em março. Então é isso, segurem a ansiedade (e os forninhos) que tem muita coisa boa pra sair nesse começo de ano!

Tenham uma ótima ceia e um ótimo Natal! ❤